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Miguel Barbosa Soares

Abaetetuba, Pará

Miguel Barbosa Soares

Arte-educador. A tela e a moldura de miriti saem do ateliê, à beira do rio.

Miguel Barbosa Soares sentado no ateliê, pintando palmeiras e paneiros de açaí. Máscaras de gesso estão na parede de tijolo, e a mesa está cheia de tintas.

Biografia

Nasce em Abaetetuba, em 10 de fevereiro.
Casa-se e segue desenhando no ensino em Moju.
Assume o cargo de arte-educador na cidade natal.
Pandemia
O miriti entra no trabalho e a pintura ganha evidência.

Eu sou Miguel Barbosa Soares, nasci em 10 de fevereiro de 1978 e desde cedo, a arte sempre esteve presente em minha vida. Quando eu tinha cerca de 10 anos, eu me juntava com alguns amigos para desenhar e pintar personagens populares. Usávamos pincéis feitos de mato e nossas tintas eram tudo o que conseguíamos encontrar para extrair cor. Desde adolescente, eu já vendia meus desenhos.

Desenhar e pintar sempre foram atividades intrínsecas ao meu cotidiano. Estava frequentemente envolvido em projetos sociais, ministrando oficinas de artes visuais.

Em 1999, aos 21 anos, eu me casei e continuei desenhando e pintando como um hobby ou para complementar minha carga horária escolar em comunidades distantes durante meu tempo no Sistema Organizado por Módulo de Ensino (SOME) na cidade de Moju.

Em 2009, assumi o cargo de Arte Educador na minha cidade natal, Abaetetuba, trabalhando na Secretaria de Educação. Desenvolvo projetos de artes visuais, xadrez e excursões a museus de arte em Belém, Pará.

Embora eu tenha continuado a desenhar e pintar, foi durante a pandemia que eu realmente me assumi como artista e a adesão do miriti e o meu estilo peculiar de compor minhas obras contemporâneas me tornou um artista um pouco mais em evidência.

Obras

Tudo é feito à mão, desde a tela até a moldura. O processo de criação das molduras foi concebido após vários encontros com artistas regionais sobre o manuseio do miriti para a confecção de relevos que culminou em uma moldura. A técnica consiste em deixar o quadro revestido pela matéria-prima, dando a sensação ao observador de que o quadro saiu diretamente da mata amazônica.

A moldura

Tela larga de uma paisagem com árvores e um caminho, ainda em pintura, sobre uma mesa coberta de tintas, pincéis e talas de miriti.
Tela em curso, com as talas de miriti na mesa.

Obras avulsas

Quadros feitos no ateliê, com a moldura já na peça.

1 de 11

  • Duas araras vermelhas pousadas em galhos que avançam para fora da pintura. Ao fundo, mangue, rio e um pescador lançando a tarrafa.
    Araras vermelhas no mangue
  • Homem de camisa azul segura um catavento amarelo ao lado de uma cruz coberta de brinquedos de miriti. Atrás, a praça e a igreja.
    O vendedor de girândolas de papel
  • Mulher negra canta e toca um tambor contra um céu laranja, com a mão e o rosto em relevo.
    Cantora ao tambor
  • Dois tucanos em relevo diante de um igarapé verde.
    Os tucanos do igarapé
  • Menina de vestido branco e chapéu num campo de girassóis, com uma borboleta azul e o sol baixo.
    Campo de girassóis
  • Homem de chapéu olha o rio ao pôr do sol, debaixo de uma árvore com mangas em relevo. A moldura é de miriti trançado.
    Rio e mangas, na moldura trançada de miriti
  • Canoa entre palmeiras, paneiros de açaí e flores amarelas em relevo, em moldura de miriti.
    Canoa, açaí e flores
  • Três pássaros pretos e amarelos em relevo, num galho que sai da tela em direção a frutos amarelos.
    Pássaros e frutos em relevo
  • Família no trapiche, com viola, crianças, barco, folhas e um tucano que saem da pintura.
    Família no trapiche
  • Igarapé entre árvores, com um homem e um cachorro à esquerda, crianças na água e um cavalo bebendo à direita.
    Um sítio tranquilo
  • Garça branca na margem de um rio amarelo, ilha coberta de palmeiras ao fundo e uma canoa à direita. A moldura é de miriti.
    Garça, ilha e canoa

Exposições

As mesmas peças quando saem do ateliê e encontram a parede, o salão ou a igreja.

1 de 6

  • O quadro das araras vermelhas instalado numa parede clara, com a moldura de miriti em relevo.
    Araras vermelhas no mangue, na parede
  • O quadro Botos ao pôr do sol exposto num salão movimentado, com a base que imita a margem do rio.
    Botos ao pôr do sol, em exposição
  • Miguel Barbosa Soares assina um quadro grande de uma igreja branca, já instalado numa parede de azulejos.
    Igreja, pintura encomendada no lugar
  • Grande cruz pintada com Cristo de braços abertos, exposta numa sala de piso geométrico.
    Cristo, na sala
  • O quadro da canoa, do açaí e das flores amarelas exposto num salão, sobre um cavalete.
    Canoa, açaí e flores, em exposição
  • Quadro de um anjo sobre uma capela, instalado na parede de uma sala.
    Anjo e capela, na parede

Poemas e músicas

Faça o bem o ano inteiro

Faça o bem o ano inteiro
De janeiro a dezembro vá além
Não precisa ser super herói
Seja simplesmente do bem

Reflita sobre o Bom Samaritano
Seja o melhor humano que você puder
É sempre bom rever os nossos planos
Pois um novo ano está pra nascer, dentro de você

É Jesus luz de vida
É Jesus luz de amor
Faça o bem, o bem energiza
Faça o bem aonde for
Faça o bem com amor

Poema contemporâneo

É necessário ser Artista
Dançar e cantar nas entrelinhas
E na tela da vida pintar
A canção, o amanhã a estrada ...
Transfigurar o crepúsculo em alvorada

E no preto e branco dos infindos chãos
De monarquias, bispos e peões
Sermos Chaplins e Napoleões

Vivendo as inefáveis glórias
E dores nos bastidores de nossa história
Há um palco armado em cada esquina
Para um novo musical ou uma velha chacina

Luzes, câmeras, revistas, teatro, cinema, televisão...
Pura Arte Rupestre, atos, fatos, fotos, ação...
Típicos quadros do cotidiano surreal
Expressionismo moderno, impressionismo, real

É imprescindível que se cante a cena
É determinante pintar o show
Desenhar o roteiro, interpretar quem sou...

Para não dançar fora do compasso
E com baléticos passos
Escapar de laços